domingo, 24 de fevereiro de 2013

Oeste Paulista



Presidente do STR-Rubens Germano defende: 

Ocupação de toda a propriedade 
da Usina Decasa!

Com bastante calma e serenidade – própria de quem é preocupado com os rumos das negociações entre os trabalhadores e a Usina Decasa que até agora não chegaram a um acordo, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rural de Presidente Venceslau e Marabá Paulista, chegou à conclusão de que só ocupando as terras da Usina Decasa, que os trabalhadores irão evitar o calote. A situação dos 1200 trabalhadores é muito difícil, a empresa alega não ter recursos para arcar com as dividas. O clima ficou mais tenso, quando boa parte dos trabalhadores representados por outros sindicatos, tiveram que aceitarem o “acordo”, causando uma divisão no movimento e deixando uma brecha para a empresa se beneficiar.

O Sindicato dos Químicos e o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte fecharam o “acordo” com a Usina acreditando não ter nada a fazer, para arrancar da empresa o que é devido aos trabalhadores. Na contra mão da conciliação, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rural de Presidente Venceslau e Marabá Paulista Rubens Germano optou por deixar a decisão a cargo dos trabalhadores, agindo dessa forma, a decisão da maioria foi a de continuar exigindo da empresa o imediato pagamento dos seus direitos trabalhistas eles estão desde dezembro de 2012, sem o pagamento de salários, da segunda parcela do 13º, sem o fornecimento das cestas-básicas e outros benefícios, após se deflagrarem em greve mostrando disposição de seguir com a proposta de ocuparem as terras da Usina, apareceu uma proposta completamente absurda, para os trabalhadores aceitarem um “acordo” que estipula o pagamento dos direitos trabalhistas, mas com data de início de 30 de junho de 2013 e término em 30 de novembro de 2014, “ela esta querendo é legalizar o calote!” afirma Rubens.Em nota a Usina Decasa, assumiu publicamente as suas dívidas e alega só ter como pagar suas dívidas em 12 parcelas sendo da seguinte forma:
(...) a Decasa propõe a demissão dos trabalhadores contemplando todos os seus direitos trabalhistas, inclusive FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) atrasado, FGTS da rescisão, FGTS da multa de 40%, aviso prévio indenizado e cestas básicas, efetuando a formalização da rescisão com a emissão dos documentos legais, todos com data de demissão do dia 20 de janeiro de 2013. Além disso, a Decasa garante que não descontará o período não trabalhado entre 03 de dezembro de 2012 até 20 de janeiro de 2013, sendo tal considerado como “licença remunerada”.
A usina confessa em documento, que é devedora dos valores referentes aos direitos trabalhistas e estabelece um calendário bastante peculiar para o pagamento dos valores reconhecidos como devidos: duas parcelas anuais, sendo cada uma, dividida em seis mensais, ou seja, as primeiras seis parcelas serão efetuadas nos dias 30/06/2013, 30/07/2013, 30/08/2013, 30/09/2013, 30/10/2013 e 30/11/2013 e as seis parcelas restantes serão efetuadas nos dias 30/06/2014, 30/07/2014, 30/08/2014, 30/09/2014, 30/10/2014 e 30/11/2014. (...) exibido no programa Globo Rural de 20 de janeiro de 2013 e no portal www.G1.globo.com
Procurados para comentar o acordo não foram encontrados nenhum representante da empresa. Em entrevista ao SPTV o presidente do STR explicou que há casos de trabalhadores que estão sem o deposito do FGTS há 04 anos e sem o seguro desemprego e ver esse acordo como uma forma de legalizar o golpe:
“A nossa proposta é que os trabalhadores não deve aceitar o acordo... os trabalhadores nos últimos anos não tem o Fundo de Garantia depositado e não tem o Seguro Desemprego. Então pra que assinar o acordo: Para legalizar o calote!” Nessa mesma entrevista, o sindicalista propõe ocupar as terras da Usina:
“O que nós estamos propondo é o seguinte: Quem não concorda e tem condições aguarde quem não tem condições, nós estamos propondo entrar com a rescisão indireta, mas como prioridade a nossa defesa é assim: Vamos ocupar essa terra, tem três fazendas, tem um parque industrial isso é dinheiro pra se vender, o que não da é pra gente passar fome!” Finaliza Rubens Germano.
Com os trabalhadores parados e decididos a tomar as terras da Usina, para saldar as dívidas, o monopólio da imprensa não tardou em fazer uma matéria falando da situação das Usinas das regiões do oeste paulista e sudoeste de Goiás, onde faz uma matéria tendenciosa e apelativa em favor dos usineiros e do aumento dos preços do combustível, como mostra o programa Globo Rural de 20 de janeiro de 2013 http://g1.globo.com.
Com referencias ao crédito e a amortização das dívidas, mostrando que em cinco anos, quarenta Usinas já fecharam as portas em Goiás e Oeste Paulista, abre a matéria com a seguinte frase: “Nos últimos cinco anos, várias Usinas fecharam as portas ou entraram em regime de recuperação judicial.” (leia-se, serem socorridos com dinheiro público e legitimados os calotes das dívidas) abrindo as imagens mostrando a situação da Usina Santa Helena, a mais antiga do sudoeste de Goiás, que emprega mais de (2.000) dois mil trabalhadores, que desde dezembro estão de férias coletivas, sem receber salários, com a falência decretada desde novembro de 2012, por não ter conseguido cumprir o Plano de Recuperação judicial de 2008. As imagens mostram a Usina completamente abandonada e a matéria fala dos prejuízos de prestadores de serviço com suas máquinas paradas. É o caso de Márcio de Oliveira, que tem 12 máquinas, entre caminhões, trator e colhedeiras de cana e não recebe pelo aluguel desde novembro de 2012.  A situação da dona Lúcia Helena esta sem receber o aluguel de seus 120 hectares arrendados por todo o ano de 2012, alegando que já veio tendo pendencias por todo o ano e que sempre eles falavam em pagar uma quantia e pagava outra. Já o caso dos trabalhadores, faz apenas um breve relato e termina a matéria dizendo que a Usina será colocada em operação na próxima safra: “objetivo é vendê-la em atividade, por 386 milhões de Reais (valor em funcionamento). Se for vendida com ela parada, será arrematada como sucata”.
No oeste paulista, mostra a situação das Usinas: Floralco e Decasa com 3100 trabalhadores juntas, eles estão parados e sem receber desde dezembro de 2012, mostra o caso do produtor rural Dagoberto Abegão, falando que ficou oito meses sem receber da Usina Decasa em 2012 e que até hoje há um processo correndo na Justiça para receber. Faz uma matéria mostrando a situação difícil enfrentada pelos trabalhadores, Alexandro de Almeida e outro amigo, falando do sofrimento nas festas de passagens de ano e com as dívidas, que não param de aumentar, mostrando contas de águas e luz, mostrou o presidente Rubens Germano falando da covardia da empresa que não retorna e não oferece uma saída para o problema. Também mostra a Floralco situada no Município de Flórida Paulista, com 1900 trabalhadores, abandonados desde dezembro, com a falta de pagamento, os trabalhadores alegam que a Usina não pagou e nem falou porquê? Segundo Selma Berlato: “O comércio não vai vender mais e ninguém tira a razão deles. Porque o povo tudo tá devendo pra eles e como é que ele vai vender pra gente?” Questiona.
O advogado Dr. Joel Tomaz Bastos, que representa a Floralco e outras seis empresas na mesma situação disse: “as empresas estão em Processos de Recuperação Judicial” (tempo em que a justiça da à empresa, para sair da crise) afirma que as empresas estão com planos de recuperação para a capitalização ou a venda.
A ÚNICA- União da Indústria de Cana-de-açúcar vai direto:
"Um pouco é a responsabilidade das empresas, mas o grande problema é a questão da perda de produtividade agrícola. Primeiro, pela falta de recurso para você manter o canavial sadio. Faltou dinheiro para plantar cana, para renovar o canavial. Segundo, tem três safras consecutivas: uma safra muito seca, uma safra muito chuvosa e, na safra do ano passado, tivemos, além disso, tudo uma questão de geada em vários locais. Isso aumentou o custo. De um lado, aumenta o custo. De outro lado, você não tem como repassar o aumento de custo para o preço. O que acontece? Aumenta o endividamento. E cada vez mais as empresas vão se endividando e vão perdendo a capacidade de continuar produzindo", Afirma Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da entidade.
Esse discurso é a reivindicação dos usineiros, para a liberação do aumento nos combustíveis e uma forma de tentar fazer com que a sociedade se comova com a situação e justifique o que estão fazendo com os trabalhadores o monopólio da Rede Globo em um programa mais direcionado coloca toda a ênfase dessa matéria para aliviar os usineiros o que não pode fazer no tele jornal SPTV que mostrou a situação dos trabalhadores.
É diante desse cenário, que os trabalhadores da colheita da cana-de-açúcar de Marabá Paulista, vêm demonstrando determinação em um intenso embate contra os usineiros e desmascarando o oportunismo dos sindicalistas representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas... (Sindetanol) e o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários filiados à Força Sindical e também a FETAESP, preferiram aceitar pacificamente o “acordo”, embora com discursos de: “É a única saída!”, “Se não for assim, não vamos receber.” e “blá, blá, blá...” A luta dos trabalhadores das Usinas no Oeste Paulista e Goiás,  reflexo de uma política voltada para a monocultura da agroexportação, bastante defendida pelos grandes burgueses e latifundiários transformando cidades em verdadeiros desertos verdes, soja, cana-de-açúcar, eucalipto, mamona e etc., reduzindo o espaço do plantio de produtos agrícolas voltados para a ceia do povo, por priorizar apenas o mercado externo. Tal política, não só cria um exército de mão-de-obra barata, devido ao exército de reserva que vivem perambulando nas entressafras em busca de emprego, como também mantém refém os comércios locais tornando-os presa fácil da crise e nas mãos dos grandes produtores. Da mesma forma ocorre com trabalhadores que são aliciados por “gatos”, para trabalharem em situação análoga à escravidão em grandes lavouras e nas grandes obras, como estamos acompanhando nas obras do PAC.
Não curvar diante da primeira dificuldade na luta, é um requisito indispensável para os que querem lutar. Os companheiros das Usinas Decasa, Floral e vários outros que estão em luta, são exemplo para muitos trabalhadores que ainda não se levantaram, mas com certeza vão se levantando, na medida em que vão adquirindo consciência da situação e por isso, o caminho deve ser cimentando, criando novas formas de luta, desmascarando os conciliadores, os oportunistas e dando saltos em nossas organizações. A decisão de ocupar as terras dos Usineiros, para força-los a pagar é uma nova etapa da luta dos trabalhadores rurais de Marabá Paulista e servirá como um clarão, que iluminará todo o Oeste Paulista e abrirá o caminho para resolver os problemas de milhares de trabalhadores na mesma situação. Por isso todo o apoio aos trabalhadores da Usina Decasa, que estão nessa grande batalha, mostrando força e determinação.
Abaixo a conciliação de classes, dos pelegos e oportunistas do Sindicato dos Químicos e dos Trabalhadores Rodoviários!
Se a Usina não pagar: Vamos Ocupar!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Luta Popular


Divulgamos a luta dos moradores do Parque Cocaia I, região situada no Extremo sul da capital, conforme nota do Site www.passapalavra.info, apenas com pequenas alterações. 

Rede Extremo Sul: Moradores do Pq. Cocaia protestam contra despejos


Centenas de famílias estão ameaçadas de despejo no Pq. Cocaia I, distrito do Grajaú, extremo sul da cidade de São Paulo. Há anos existe um projeto de criação de um parque linear na região, mas esse projeto jamais foi mostrado, e muito menos debatido com os moradores. Sem dar explicações, funcionários da Prefeitura de São Paulo estão fazendo cadastros, marcando casas e dizendo que todos os moradores devem deixar o local em troca de um auxílio-aluguel de 400 reais, valor que é insuficiente para alugar um imóvel na região.
Esse é mais um dos despejos que se multiplicam na região, sendo que nesse mesmo bairro já ocorreram dois despejos nos últimos quatro anos. A fila de famílias esperando as moradias populares prometidas pelos governos é enorme e tem aumentado exponencialmente nos últimos anos; porém, nesse período NENHUMA habitação popular foi construída na região.
Por outro lado, algumas áreas da comunidade do Pq. Cocaia se encontram em situação bastante precária e de alto risco, e há anos os seus habitantes solicitam em vão uma intervenção emergencial por parte do poder público.
Contra esse tratamento absurdo, que tem levado milhares de pessoas ao desespero e piorado sua condição de vida, moradores do Pq. Cocaia I realizam protesto nesta quarta-feira, 20 de fevereiro, junto à Secretaria Municipal de Habitação para exigir:
1) o projeto final do parque linear, com informações precisas sobre o que vai ocorrer, quantos moradores serão removidos, o cronograma das obras, etc.;
2) que a Prefeitura apresente uma real alternativa habitacional aos moradores do bairro; e
3) que a Prefeitura realize um plano emergencial de intervenção nas áreas do bairro cujos moradores se encontram em risco.

Contatos:
Gorete: 993192867/ 95132944
Cristiano: 96990-4418
Adenildo: 96130-7660
Gustavo: 981024851
Sheila: 5932-2333


Vejam o Manifesto:

 

Luta Camponesa



URGENTE: Solidariedade às famílias camponesas da Baixa Funda (fazenda Marilândia)

Manga, norte de Minas Gerais, 19 de fevereiro de 2013



Mais de cem famílias camponesas, há mais de quinze anos, vivem, trabalham e produzem nas terras da Baixa Funda (Fazenda Marilândia). Desde o final do mês de novembro de 2012 essas famílias, pela 7° vez, resistem às tentativas do estado e da “justiça” de expulsá-los das terras que são suas por direito, por meio de mais uma covarde e absurda liminar de reintegração de posse.

As terras da Baixa Funda não produziam nada quando estavam nas mãos do latifundiário ThalesDias Chaves. Hoje, mesmo após a maior seca dos últimos cinquenta anos na região, os camponeses já plantaram seiscentos hectares de milho, feijão, abóbora, mandioca, melancia e outros mantimentos.

No dia sete de dezembro de 2012, cerca de trinta famílias da Baixa Funda procuraram a promotoria de justiça em Manga, buscando impedir que se cumpra a reintegração de posse.

A promotora Renata de Andrade Santos assumiu o compromisso de intervir no sentido de impedir que a liminar se cumpra antes que os camponeses colhessem suas roças. Mas, ainda no inicio do ano de 2013 e, apesar do empenho da promotora, novamente os camponeses são ameaçados de perderem suas terras.

Corre o boato na cidade de que a liminar seria cumprida na próxima quarta-feira, dia 20/02/2013, mas, até o momento, as famílias não foram notificadas. Os trabalhadores estão alarmados com a possibilidade de acontecer o mesmo que já ocorreu em outras ocasiões quando tiveram suas casas e plantações destruídas pela Policia Militar.

Até mesmo porque, nos últimos dias, a situação dos conflitos na luta pela terra têm se tornado mais agudos e graves na cidade de Manga, tendo em vista os acontecimentos no acampamento Santa Catarina na Fazenda Pau D`arco onde os policiais (que estão sob investigação pela Corregedoria de Policia Militar de Minas Gerais), junto a pistoleiros a soldo da latifundiária Iracema, atearam fogo nos barracos dos camponeses e os acontecimentos na Fazenda Beirada, onde os trabalhadores rurais foram vitimados por uma tentativa de massacre levada a cabo por pistoleiros fortemente armados que contaram com a complacência da Policia Militar.

No mês de dezembro do ano passado o deputado estadual Paulo Guedes (PT) realizou uma reunião em Manga com as famílias da Baixa Funda e se comprometeu a procurar o latifundiário ThalesDias Chaves e intermediar o processo de desapropriação das terras da Fazenda Marilândia junto ao INCRA.

As famílias camponesas procuraram também a prefeitura de Manga, administrada pelo irmão de Paulo Guedes, senhor Anastácio Guedes e foram recebidas por seu Secretário de Agronegócio que afirmou que faria o que estivesse em seu alcance para que as famílias permanecessem nas terras.

As famílias da Baixa Funda participaram ativamente do I Seminário contra a criminalização da luta pela terra, realizado em Manga no ultimo dia 18 de fevereiro, que contou com a participação de movimentos e entidades de todo o estado como a Liga Operária, Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia, Sindicato dos Trabalhadores das Industrias da Construção Civil de Belo Horizonte e região (Marreta) e a Comissão Pastoral da Terra e estão decididas a resistirem em suas terras pelo direito de trabalharem, produzirem e viverem com dignidade.

Conclamamos a todas as pessoas honestas e de bem, todos os movimentos, entidades e organizações que apoiam a luta pela terra a se posicionarem favoravelmente as famílias da Baixa Funda.

Ligue e mande mensagens para os contatos abaixo, exigindo o fim imediato do despejo da Baixa Funda:

- Presidente da República Dilma Rousseff: Tel.: (61) 3411-1200 / 3411-1201

- Ouvidor Agrário Nacional Gercino José da Silva Filho:
 Tel.: (61) 2020-0904 e-mail: gercino.filho@mda.gov.br

- Presidente do Incra Carlos Mário Guedes de Guedes
e-mail: presidencia@incra.gov.br Telefone: (61) 3411-7474/ Fax: (61) 3411-7489

-Procurador-chefe do Incra  Sérgio de Britto Cunha Filho                                                                            
 e-mail: sergio.filho@incra.gov.br / sergiobritto.filho@agu.gov.br 
  Telefones: (61) 3411-7150 / 7140 - Fax: (61) 3411-7820

Comissão Pastoral da Terra – CPT
Comitê de Apoio a Luta pela Terra em Manga
Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Luta Camponesa



Todo Apoio a Luta Camponesa

Nós do Protesto Popular conclamamos a todos os progressistas e lutadores para apoiar e defender as famílias camponesas do Norte de Minas, que desde 1998 estão assentadas em Varzelândia no Para Terra I, ocorre é que nesta área há um acentuado enfrentamento contra o latifúndio e a má fé deste velho e podre Estado burguês - latifundiário. Por isso apoiamos de forma inconteste essa batalha que com toda certeza é parte integrante da luta do nosso povo.
Varzelândia e todo o Norte de Minas vivem um momento muito especial no enfrentamento contra os latifundiários que pagam pistoleiros para ameaçar e amedrontar camponeses e lideranças como ocorreram recentemente (fim de novembro de 2012), na fazenda Beirada em Mangas. Com a determinação dos camponeses e suas lideranças de não arredar pé de suas justas posições, o velho Estado burocrático, esta querendo colocar povo contra povo e não podemos em hipótese alguma admitir isso. Nessa Região, os camponeses tem uma extensa bagagem de resistências, narradas em livros e contos que relatam as lutas do povo – Como “Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa e também muitas passagens de outros consagrados escritores.
As famílias do Para Terra I, são bastante conhecidas na região pela disposição e determinação na luta. Veja o Manifesto que a Liga dos Camponeses Pobres divulgou:
Em defesa das famílias camponesas do

Para Terra I/Varzelândia
13/02/2013    

 Grupo de teatro Servir ao Povo do Para Terra I se apresenta em atividade da LCP
1. Nós 35 famílias camponesas assentadas no Para Terra I no município de Varzelândia (MG) estamos sendo ameaçadas de expulsão pelo próprio estado para a suposta criação do “Território Quilombola do Brejo dos Crioulos”. Estamos sendo também coagidos a aderirmos ao suposto território num flagrante desrespeito a nossa autonomia como comunidade. É justo e necessário distribuir a terra para os camponeses pobres da região, mas acreditamos que isso deve ser feito tomando e cortando as terras do latifúndio e não dos camponeses pobres.

2. As ameaças de expulsão do Para Terra I são mais uma forma encontrada pelo estado para nos dividir. Somos todos camponeses pobres, trabalhadores que lutamos por terra e uma vida digna. Muitos de nós temos parentes quilombolas (avós, tios, sobrinhos, genros, compadres, netos), muitos moradores do Para Terra I são casados com pessoas que farão parte do território quilombola e muitas pessoas que se consideram quilombolas vivem no Para Terra I.

3. Desde 1998 várias famílias de camponeses pobres de Varzelândia e região se reuniram, adquirindo crédito fundiário por meio de contrato firmado com o Banco do Nordeste dando origem ao que hoje é o Para Terra I. Há quinze anos lutamos em cima dessas terras para dela tirar nosso sustento e transformar o Para Terra I em uma das comunidades com a maior produção de hortifrutigranjeiros de Varzelândia e região.

4. No Para Terra I produzimos milho, feijão, mandioca, abóbora, quiabo, tomate, cenoura, couve, alface, pimenta e muitos outros mantimentos e nossa produção abastece dezenas de mercados e feirantes de Varzelândia e São João da Ponte. Temos uma área irrigada de 12.48 hectares através da qual produzimos e comercializamos coletivamente vários produtos. No ano de 2011 produzimos mais de 1.800 kilos de sementes de abóbora e 1.418 kilos de sementes de alface. No ano de 2012, além da produção de 787 kilos de abóbora colhemos mais de 18.000 mil kilos de pimenta.
5. No ano de 2006 as famílias do Para Terra I, juntamente há várias comunidades da região consideradas quilombolas, com o apoio da Liga dos Camponeses Pobres e da Liga Operária, construímos de forma coletiva e independente do estado a Ponte da Aliança Operário-Camponesa sob o ribeirão Arapuim entre as comunidades Para Terra I e Nossa Senhora Aparecida.
6. Na construção da ponte nós da comunidade Para Terra I tivemos papel fundamental participando ativamente de todo o trabalho que beneficia hoje dezenas de comunidades. Participaram centenas de pessoas da obra, entre elas dezenas de quilombolas das comunidades Araruba, Nossa Senhora Aparecida, Conquista da Unidade, Brilho do Sol, Boa Vista, Modelo, Furado Seco, São Vicente, Orion e Limeira.
7. Mais de 80 mulheres e 300 homens participaram da obra de construção da ponte em mais de 1.800 dias de trabalho voluntário coletivo, sendo que no enchimento da cabeceira da ponte chegaram a participar dos trabalhos num mesmo dia mais de 70 pessoas. A construção da ponte foi e continua sendo um grande e importante exempo da força que temos quando estamos unidos e organizados.
8. As crianças e jovens do Para Terra I estudam nas escolas da região e junto aos companheiros da Escola Popular desenvolvemos uma primeira campanha de alfabetização através da qual, cerca de 18 jovens e adultos aprenderam a ler e escrever. E, após muitos esforços, hoje temos uma escola municipal dos anos iniciais do ensino fundamental na qual estudam cerca de 40 crianças.

9. Ainda como resultado do trabalho da Escola Popular temos hoje um grupo de teatro que existe há três anos formado por cerca de 15 adolescentes e que já apresentou peças em escolas e eventos em Varzelândia, Verdelândia, Pedras de Maria da Cruz e Manga. Além de participarem de um curso ministrado por respeitado diretor de teatro de Montes Claros através de projeto cultural financiado pelo Ministério da Cultura.

10. A comunidade do Para Terra I é conhecida e respeitada por toda a população de Varzelândia e região e um exemplo disso é a realização da já tradicional Feira de Produção que, em sua ultima edição no ano de 2012 em dois dias de intensas atividades, reuniu centenas de pessoas em apresentações musicais/artísticas e torneio de futebol, além de visitantes e apoiadores de Belo Horizonte e Brasília. Nesta feira participaram várias comunidades quilombolas, sendo os vencedores do torneio de viola conhecidos cantadores do Brejo dos Crioulos.

11. Não abrimos mão de nossas terras e não sairemos do Para Terra I. Somos todos parte de um mesmo povo que desde o período da escravidão, passando pela histórica batalha de Cachoeirinha em 1967 (durante o regime militar) e até os dias atuais, lutamos pelo fim do latifúndio improdutivo e pela distribuição das terras roubadas de nossos antepassados aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra.

12. Convocamos todo o povo de Varzelândia, São João da Ponte e região a apoiarem nossa luta pelo direito de vivermos e trabalharmos em cima de nossas terras, respeitando nossa autonomia econômica, política e cultural de respondermos nós mesmos sobre nossos destinos.

13. Conclamamos a todas as pessoas honestas e de bem, todas as autoridades e órgãos responsáveis ou relacionados à criação do Território Quilombola que se oponham a violência que representa a expulsão de nossas terras e/ou a inclusão forçada de nossa comunidade ao “Território Quilombola do Brejos dos Crioulos”.

Associação dos Trabalhadores Rurais do Para Terra I
Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia